sexta-feira, 21 de abril de 2017



Quero aprender a voar,
Quero saltar do sétimo andar
Sem pensar no fatídico momento
Da ruptura de cada ligamento

Minhas entranhas pararão de doer
E meus parentes, um dia, hão de entender
Pois meus poço é mais fundo do que parece
E gente como eu, nesse mundo, sempre perece

Mas em segredo de confissão,
Temo o instante da minha carne tocar o chão
E a vergonha de gritar por socorro em vão
Muito mais do que o alheio, ou o divino sermão

Eu bem que gostaria de viver sim,
Em um mundo que, só na minha mente, existe
Onde não estivesse amarrada ao semblante triste
E ao menos, um pingo de paz, houvesse em mim

A vida, para uns, é uma dádiva
Para mim, é uma coroa de espinhos
Que inspira apenas a minha lástima
Colocando meu estômago em redemoinhos

Não quero mais continuar viva
Apenas para seguir respirando
Por medo de morrer, continuar cativa
Escorada nas paredes, todo o dia, lamentando

O abismo está logo ali
E espera a todos os que estão aqui
Aceito o desafio e pulo!
Pois, essa vida, eu não mais engulo

Como boa ave suicida,
Quero alçar meu último vôo
Apagar, de vez, meu nome da vida
E o rastro desse mundo que me dá enjôo

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